Quem mandou ele crescer?

Depois que fiz a biópsia, a falta de ar melhorou consideravelmente e também já conseguia engolir os alimentos sem precisar de líquido para ajudar a “empurrar”, porém essa semana estou percebendo que essas coisas voltaram…um pouco mais de fadiga e um pouco mais de dificuldade para engolir.
Hoje pela manhã fui dar um beijinho de despedida no Rô e percebi que o meu pescoço doeu quando virei…estava sentindo ele meio dolorido no lado direito, mas hoje está muito mais sensível e dolorido quando apalpo (ou é palpo?).

Depois de várias tentativas consegui falar com a médica, que disse que o linforma provavelente está crescendo e eu já estava desconfiada disso. Então vamos adiantar a biópsia de medula para a próxima segunda e dependendo faço a primeira quimio sem catéter.

Vamos que vamos!

Ontem diz uma fotinha do corte da biópsia:

É mel na chupeta?

Então quer dizer que eu estou assim, como se nada tivesse acontecendo? Não é assim, infelizmente.
Quando vi que “tecido infiltrativo” poderia muito ser um câncer vi dois sonhos de 2012 irem por água abaixo…o de uma viagem dos meus sonhos e um bebê. Fiquei triste, perdida, chorei, trabalhar não conseguia, fiquei sumida do Facebook, mas sempre orando e agradecendo a Deus pelo que Ele iria fazer com tudo isso. Aí veio uma ansiedade sinistra de saber o que eu tinha. Mais uma vez agradeço a Deus por ter um plano de saúde.
Essa é a notícia de hoje…até onde vai o desespero de uma filha por um tratamento quimioterápico do seu pai. E olha que é particular:

http://gazetaonline.globo.com/_conteudo/2012/06/noticias/cbn_vitoria/reportagem/1288098-mulher-finge-estar-armada-para-conseguir-tratamento-para-o-pai.html

Após a biópsia

Bom, não senti nenhuma dor depois da biópsia, nenhum incômodo se não fosse a dor de estômago fortíssima que senti quando parei, uns 2 dias depois, de tomar remédio para dor (Lisador). Eu não aguentava mais dormir, o remédio dá muito sono. Acho péssimo dormir por horas durante o dia, fico deprimida. Quando parei de tomar, o estômago reclamou e reclamou feio (e olha que estava tomando Omeprazol para protegê-lo). Li no Google que ralar a batata, espremer e tomar aquele caldo é um ótimo remédio. Fiz duas vezes, uma às 4h da manhã. Pelo-amor-de-Deus, isso não é coisa de gente não…é tão nojento, arg! E não melhorou nada.
Graças a Deus foram só dois dias, depois passou. Mesmo assim procurei a gastro e ela não viu necessidade de fazer uma nova endoscopia, já tinha feito uma quando ainda queria saber o motivo da falta de ar.

Dr. Google, o que é tecido infiltrativo?

Quando peguei o resultado da tomografia no dia 21/05, cheguei em casa e fui pesquisar no Google sobre o que era “tecido com aspecto infiltrativo” e vários resultados falavam de câncer. A primeira coisa que pensei foi “meu Deus, será que estou com isso????”. Não queria comentar com o Ronald porque ele tinha uma prova “cabeluda” (de cálculo) na faculdade e guardei isso comigo por 02 dias.
Sabe, quando você se depara com uma coisa assim você não sabe que médico ir. Eu não conhecia ninguém que tinha tido..então orei assim, antes de dormir “Senhor, Vitória tem tantos médicos, eu não sei quem procurar. Me mostra onde devo ir, me mostre em qual porta bater”. E assim as portas foram se abrindo.
Achei também no Google o Dr. Wesley, oncologista. Eu tinha dois médicos indicados pela endocrinologista que eram ótimos cirurgiões de cabeça e pescoço, já que nessa altura já precisava fazer biópsia para saber se esse tecido seria mesmo um linfoma, mas queria conversar com um oncologista primeiro. O Dr. Wesley, vendo a minha ansiedade em aguardar 15 dias para a consulta com um dos cirurgiões (eu disse: “Doutor, até lá eu vou secar de tanta ansiedade), me indicou o Dr. Mauro Bof, cirurgião de torax. Puxa, fui tão bem atendida, um médico tranquilo, atencioso, que te explica as coisas…nesses momentos o que menos a gente precisa é de um médico grosso ou que faça pouco caso do que você tem!
O Dr. Mauro, vendo os exames, disse: “pela minha experiência, isso é um linfoma, mas precisamos fazer a biópsia”. Ele falou tudo com tanto cuidado, vai que eu entrasse em desespero, né? Mas eu disse que estava tranquila e que já desconfiava disso. Enfim, fiz um monte de perguntas, mas nenhuma resposta seria concreta antes da biópsia.
Assim as coisas foram desenrolando, de forma rápida….agradeço a Deus por ter um plano de saúde que, mesmo sendo partipativo, tem ajudado a cobrir exames caríssimos, internação para biópsia, INÚMERAS consultas, exames, etc. Imagino o quanto deve aguardar uma pessoa que depende do SUS. Nesses casos, tempo é vida!

A biópsia

Acho que pior do que saber o que tem é não saber e ficar procurando respostas. O que eu queria mesmo era fazer a biópsia e saber exatamente o que eu tinha.
No dia da biópsia, 05/06, acordei às 6h da manhã porque depois das 6h30 eu não poderia comer mais nada, nem ao menos beber água… “meu Deus, vou sobreviver?”, rsrs. E o médico ainda fala para comer um lanchinho leve…ai, ai. Dr. Mauro que me desculpe, mas eu fiz foi um lanchão (claro, dentro do que meu estômago aguenta, rs).
A cirurgia estava marcada para às 16h30, mas houve um atraso e começou quase 18h. A última coisa que lembro que disse ao Dr. Mauro foi “Doutor, por favor, não me deixe passar fome depois da cirugia e o anestesista disse “você é pequenininha, mas come, heim”….parece até que ele me conhece.
Bom, o que me consumiu durante todos esses dias, antes, durante e após a biópsia foi a ansiedade de saber o que eu tinha. Eu não estava triste por que era quase certo de ser um linfoma, mas a incerteza. Se fosse, tudo bem, vamos tratar.
E assim, alguns dias depois, o Dr. Mauro me liga. Ele havia recebido a resposta do laboratório e como sabia que eu estava ansiosa (que atenção a dele, né?), me ligou para dizer que realmente era um linfoma, mas o tipo precisaríamos aguardar mais uns dias.
Enfim, dia 15/06, saiu o resultado final da biópsia: Linfoma de Hodgkin tipo clássico, subtipo esclerose nodular.

Como eu descobri? Eis a questão…

Essa é a pergunta que mais me fazem e com certeza é a primeira que eu faria também: “como você descobriu”?

Foi assim: desde o início desse ano percebi que minha respiração estava um pouco mais ofegante, estava com um pouco de falta de ar. E fui percebendo que piorava… para dormir já estava ficando incômodo, acordava à noite sobressaltada, etc. Cheguei a achar, por pouco tempo, que era psicológico por estar com muito trabalho, mas quando eu não consegui sair do mar por falta de fôlego e graças a um rapaz que estava perto não me afoguei, é que vi que havia alguma coisa errada e que não poderia ser psicológico.

Daí comecei a procurar alguns médicos: clínico geral, pneumologista, cardiologista, gastro, os exames não davam nada e continuava a sentir como se algo comprimisse o meu pescoço. Precisei aumentar mais um travesseiro para não me sentir sufocada.

Bom, insistindo que havia algo no meu pescoço, recebi a indicação (no Facebook) de uma endocrinologista chamada Zuleica Ricas, que foi super atenciosa e quis fazer a investigação. Daí me pediu ultrasonografia e depois a tomografia. E foi aí que revelou-se um tecido infiltrativo na parte inferior à tireóide e superior da tranqueia…estava explicada a falta de ar.